- Sabes, vieram perguntar-me sobre o batom.
- Que batom?
- Aquele que tinhas no outro dia e depois me beijaste o pescoço. Pelos vistos não foi só um beijo que ficou marcado, tinha o pescoço cor de cereja.
- Oh desculpa, eu não reparei.
- Deixa lá, isso não me preocupa, as marcas de batom saem com água e sabão. Preocupam-me mais as marcas no coração. O batom fez estragos mas tu, se quiseres, fazes bem pior.
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terça-feira, 28 de julho de 2015
quinta-feira, 23 de julho de 2015
- Boa viagem, Amor!..
... só não te esqueças que não esqueci o que tivemos. Eu arquivei. Sabes o que acontece aos arquivos? São consultados. E tu não vais querer que consulte o teu. Faz boa viagem, vais ouvir falar de mim.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Sobre Níveis de Consideração e a Noção do Ridículo
Penso alguém não pode descer mais na consideração de alguém, e, nesse momento, ela saca de uma pá e enterra-se sozinha. O que é ótimo, porque fico com mais tempo livre para falar e conviver com quem realmente importa - grupo esse que não inclui essa pessoa há muito tempo. E a situação faz-me rir a bandeiras despregadas, porque nada me dá mais gozo do que ver fruta podre a cair.
O que eu quero, Mário Alberto?
Quero que as pessoas se toquem e que tenham a noção do ridículo. Ou então que se deixem estar, porque se é para me manter bem disposta, que seja. Olhem, façam o que quiserem é que já nem me importo, só acho um bocadinho triste.
Queridos palhaços da minha vida: está a ficar e-mo-cio-nan-te
Mas agora a sério, respondam-me : A noção ficou no útero?
O que eu quero, Mário Alberto?
Quero que as pessoas se toquem e que tenham a noção do ridículo. Ou então que se deixem estar, porque se é para me manter bem disposta, que seja. Olhem, façam o que quiserem é que já nem me importo, só acho um bocadinho triste.
Queridos palhaços da minha vida: está a ficar e-mo-cio-nan-te
Mas agora a sério, respondam-me : A noção ficou no útero?
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| Imagem daqui |
terça-feira, 2 de junho de 2015
Olhos doces, quem diria?
Olhos verdes deviam ser crime. Quem é capaz de não acreditar neles? Olhos verdes são maléficos mas em bom, sabem o que olham, inspiram confiança mesmo que não deixemos. Ficam ali na zona do castanho e do azul mas não são nenhum dos dois: têm partes de cada. Estranhos, uns dias mais claros outros dias mais escuros, não devem nada aos azuis. O azul já deu o que tinha a dar, verde é tudo o que existe.
Mas há melhor: castanhos
Quem é que precisa de olhos verdes quando tem olhos castanhos? Quando o sol lhes bate, já não é a palavra "castanho" que os descreve: desfazem-se em raios à volta de um eclipse. Ninguém precisa de olhos claros quando os castanhos se transformam num pôr do sol privado
Mas há melhor: castanhos
Quem é que precisa de olhos verdes quando tem olhos castanhos? Quando o sol lhes bate, já não é a palavra "castanho" que os descreve: desfazem-se em raios à volta de um eclipse. Ninguém precisa de olhos claros quando os castanhos se transformam num pôr do sol privado
sábado, 30 de maio de 2015
Lembranças
De tudo o que posso querer na minha vida quero essencialmente ser lembrada mas não no sentido de ser famosa: quero que te lembres da minha voz, da minha forma de rir sem vergonha, as minha crises. Quero que te lembres dos meus beijos, das minhas unhas nas tuas costas, dos meus dentes a morder-te o pescoço e os ombros (e do quanto isso te irritava). Quero que te lembres dos meus abraços, da forma como eu queria as mãos na minha cintura, da forma como gostava de ser beijada. Quero que tu, um dia, te lembres de quanto eu gostava de cantar ao teu ouvido, quero que te lembres do padrão que eu desenhava nos teus braços, com carícias, enquanto olhava para ti a descansar e pensava que tinha à minha frente a melhor criação do universo.
Mas como poderias tu lembrar-te das minhas carícias se a cada noite mudas de pele?
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Peace Inside
A estrada serpenteava por entre os montes amarelos e lilases dos arbustos. O carro desenvolvia ao sabor do vento, os vidros abertos deixavam entrar a brisa. Subimos até ao topo e parámos o carro. Deixamo-nos ficar dentro dele, a ver o horizonte onde o céu e a terra se encontravam nos cumes. Saíste, abriste-me a porta e abraçaste-me.
-Dás-me uma paz - sussurraste-me ao ouvido e eu arrepiei-me com o ar. Limitei-me a sorrir.
Tonto. Mal sabes tu que a paz que sentes vem do sítio onde estás e não de mim. Eu sou um turbilhão de pensamentos, de batalhas e guerras perdidas. A paz em mim não existe. Pelo contrário, aqui neste cume existe vento e terra, a água corre além na cascata e o fogo ataca de quando em vez. A paz existe aqui, desde o princípio dos tempos estará até que o Sol expluda e nos leve com ele. A paz existe onde o silêncio não é ensurdecedor, onde aqui e ali os pássaros chilreiam, não onde os pensamentos e circunstâncias gritam aos ouvidos por dentro. Eu não te dou paz, dou-te companhia e um ombro para te ajudar a aguentar a tua vida e só assim a minha guerra se acalma. Sabes, sair um pouco de mim e estar contigo é que me traz cinco minutos de paz. E eu preciso dela agora. Onde andas?
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| Via We Heart It |
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Diz-me!
- Não percebo essa tua paixão pelo carro. É só um carro, miúda.
- É normal e não és o único. Afinal, as pessoas devem amar pessoas não os objetos e o carro é isso: um objeto. Mas se amor é confiança - e é - eu só vou confiar plenamente no meu carro e daí tiras a razão de eu o amar tanto: nunca traiu ninguém em 19 anos de estrada, nunca me deixou mal e só me faz bem, traz-me a paz que ninguém me dá. E, para além disso, o máximo que o carro pode fazer é matar-me - e posso evitar isso. Agora diz-me, qual é o máximo das pessoas. Vai, diz-me.
- É normal e não és o único. Afinal, as pessoas devem amar pessoas não os objetos e o carro é isso: um objeto. Mas se amor é confiança - e é - eu só vou confiar plenamente no meu carro e daí tiras a razão de eu o amar tanto: nunca traiu ninguém em 19 anos de estrada, nunca me deixou mal e só me faz bem, traz-me a paz que ninguém me dá. E, para além disso, o máximo que o carro pode fazer é matar-me - e posso evitar isso. Agora diz-me, qual é o máximo das pessoas. Vai, diz-me.
domingo, 3 de maio de 2015
Noites tardias
- E essas olheiras? Queres falar sobre elas?
- Estive acordada até tarde.
- Jura. A noite é para dormir.
- A razão de eu ficar acordada até tarde é que tudo é melhor à noite: as saídas, os lanches, os duches, os mergulhos, as conversas. É nessa altura que eu penso ser poderosa e à noite o sentimento de que tenho a vida nas minhas mãos cresce exponencialmente. Mas também é verdade que a partir das duas da manhã mais vale estar calada, sabes porquê? Porque para além de as noites serem altamente motivacionais também nos tornam vulneráveis e é quando acabamos por contar todos os nossos segredos mais sombrios a quem quer que seja. E, pensamos nós, talvez a outra pessoa esteja igual a nós: vulnerável pela noite e que nos vai entender. É nessa altura que se confessam amores ou se escrevem coisas horríveis, quanto mais pesadas estiverem as pálpebras mais sinceras são as palavras - para o bem e para o mal - e o silêncio não é estranho: é partilhado. Apesar disso adoro noites tardias, são motivos para eu acordar cansada mas com um sorriso na cara. Valem bem as olheiras, acredita
- E se adormecerem a meio da conversa? Não é estúpido ficares ali sozinha?
- Essa é a melhor parte: porque apesar de estarem a morrer de sono acabaram por se aguentar até ao limite para conversar comigo. Tu sabes, com toda a certeza, que foste a última coisa que lhes passou pela cabeça antes de ficar tudo preto. E isso é bom de ser pensado.
- Estive acordada até tarde.
- Jura. A noite é para dormir.
- A razão de eu ficar acordada até tarde é que tudo é melhor à noite: as saídas, os lanches, os duches, os mergulhos, as conversas. É nessa altura que eu penso ser poderosa e à noite o sentimento de que tenho a vida nas minhas mãos cresce exponencialmente. Mas também é verdade que a partir das duas da manhã mais vale estar calada, sabes porquê? Porque para além de as noites serem altamente motivacionais também nos tornam vulneráveis e é quando acabamos por contar todos os nossos segredos mais sombrios a quem quer que seja. E, pensamos nós, talvez a outra pessoa esteja igual a nós: vulnerável pela noite e que nos vai entender. É nessa altura que se confessam amores ou se escrevem coisas horríveis, quanto mais pesadas estiverem as pálpebras mais sinceras são as palavras - para o bem e para o mal - e o silêncio não é estranho: é partilhado. Apesar disso adoro noites tardias, são motivos para eu acordar cansada mas com um sorriso na cara. Valem bem as olheiras, acredita
- E se adormecerem a meio da conversa? Não é estúpido ficares ali sozinha?
- Essa é a melhor parte: porque apesar de estarem a morrer de sono acabaram por se aguentar até ao limite para conversar comigo. Tu sabes, com toda a certeza, que foste a última coisa que lhes passou pela cabeça antes de ficar tudo preto. E isso é bom de ser pensado.
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| Daqui |
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Robin
- Gostas de séries?
- Sim, porquê?
- Sabes, a How I Met Your Mother? Sabes quem é o Barney e a Robin, a relação deles?
- Sim, nunca perdoei aquele final.
- Sim, foi estranho. Mas sabes, acho que todos temos uma Robin na nossa vida: é aquela pessoa com que sabes que se desse em algo mais do que "amigos" eras a pessoa mais feliz do mundo. Não importa quem ames, não importa o que faças nada vai ser como o que seria com a tua Robin. A Robin é normalmente um amor potencial: tu não a amas e sabes que isso é verdade - mas também sabes que podias, muito facilmente, apaixonar-te por ela. É como as uvas: estão maduras e doces em agosto mas ainda não chegou a altura ideal de as colher. E tu gostas muito dela, pensas imenso nela, procuras vê-la todos os dias, tomar café e conversar com ela nem que seja por cinco minutos - e são os melhores 5 minutos do dia -, e não a amas mas sabes - tu sabes - perfeitamente que podes. Só falta o clique.
- Sim, porquê?
- Sabes, a How I Met Your Mother? Sabes quem é o Barney e a Robin, a relação deles?
- Sim, nunca perdoei aquele final.
- Sim, foi estranho. Mas sabes, acho que todos temos uma Robin na nossa vida: é aquela pessoa com que sabes que se desse em algo mais do que "amigos" eras a pessoa mais feliz do mundo. Não importa quem ames, não importa o que faças nada vai ser como o que seria com a tua Robin. A Robin é normalmente um amor potencial: tu não a amas e sabes que isso é verdade - mas também sabes que podias, muito facilmente, apaixonar-te por ela. É como as uvas: estão maduras e doces em agosto mas ainda não chegou a altura ideal de as colher. E tu gostas muito dela, pensas imenso nela, procuras vê-la todos os dias, tomar café e conversar com ela nem que seja por cinco minutos - e são os melhores 5 minutos do dia -, e não a amas mas sabes - tu sabes - perfeitamente que podes. Só falta o clique.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Beleza da vida
- Sabes, às vezes penso: "A vida é um milagre e eu sou filho do Demónio"
- Porquê?
- Oh, sei lá... Já vi tanta coisa.
- Não é por "já teres visto tanta coisa" que a vida não deixa de ser um belo milagre: viste muita coisa mas ainda não viste o lado bom. A vida só começa a ser bela quando tu te mostrares disponível a vê-la com o coração. Tens que pensar estás numa montanha russa que só sobe: vive as emoções da viagem alucinante em que te meteram: vai passear, ver o mundo, diz "olha nem te conheço mas já gosto de ti" ao fim de dois dedos de conversa. Sorri, sorri muito. Dorme no carro, não sigas muitas regras. Chora quando tiveres de chorar e de uma só vez. Nem deves pensar sequer que não vale a pena tentar. Isso é o que nos mata, percebes? Ouve: a humanidade tem milhões de anos e por alguma razão tu só estás a viver agora, neste espaço de tempo. Havia milhões e milhões de possibilidades de seres outra pessoa mas és tu. Havia milhões de possibilidades de teres nascido noutra época e nasceste neste espaço temporal. A sério, há milhões de possibilidades e estás aqui e agora a falar comigo - é também por isto que acho que há um pseudo-planeamento de vida para nós. Se isto não são pequenos milagres, não sei o que será. Estás a perceber a dimensão disto? São milhões de variáveis em estudo. O teu problema é que só estás a ver as constantes da função e as constantes não se alteram.
Texto a pedido de: "Tipo-Fixe-De-Zootécnica", conheci na noite de Xutos (que pessoalmente acho que... nem consigo descrever de tão bom que foi).Hoje fiquei a saber que nem se lembra que mo tinha pedido. As coisas que as pessoas pedem/fazem quando estão tocadas é algo que me fascina. Oh well... para que bebes se não podes?
- Porquê?
- Oh, sei lá... Já vi tanta coisa.
- Não é por "já teres visto tanta coisa" que a vida não deixa de ser um belo milagre: viste muita coisa mas ainda não viste o lado bom. A vida só começa a ser bela quando tu te mostrares disponível a vê-la com o coração. Tens que pensar estás numa montanha russa que só sobe: vive as emoções da viagem alucinante em que te meteram: vai passear, ver o mundo, diz "olha nem te conheço mas já gosto de ti" ao fim de dois dedos de conversa. Sorri, sorri muito. Dorme no carro, não sigas muitas regras. Chora quando tiveres de chorar e de uma só vez. Nem deves pensar sequer que não vale a pena tentar. Isso é o que nos mata, percebes? Ouve: a humanidade tem milhões de anos e por alguma razão tu só estás a viver agora, neste espaço de tempo. Havia milhões e milhões de possibilidades de seres outra pessoa mas és tu. Havia milhões de possibilidades de teres nascido noutra época e nasceste neste espaço temporal. A sério, há milhões de possibilidades e estás aqui e agora a falar comigo - é também por isto que acho que há um pseudo-planeamento de vida para nós. Se isto não são pequenos milagres, não sei o que será. Estás a perceber a dimensão disto? São milhões de variáveis em estudo. O teu problema é que só estás a ver as constantes da função e as constantes não se alteram.
Texto a pedido de: "Tipo-Fixe-De-Zootécnica", conheci na noite de Xutos (que pessoalmente acho que... nem consigo descrever de tão bom que foi).
domingo, 19 de abril de 2015
Esperar
-O meu lema de vida é "Viver como se morresse amanhã". Gostas?
- É giro, mas eu recuso-me a viver como se fosse morrer amanhã, isso é para velhos. Não quero, e é irrevogável. Eu. Sou. Imortal. Quero ter tempo para para tudo e pensar que morro amanhã não é opção. Quero viver eternamente com a intensidade dos petizes que começam a vida. Quero viver eternamente com a sabedoria dos que a já viveram. Quero viver eternamente como livros, histórias infinitas caberão em mim. Pessoas terão vidas no tempo da minha eternidade.
Depois serei eterna noutra vida, noutro corpo, noutro ser. Reencarnarei em canetas de aparo, numa videira, num pássaro. Serei tempo, espaço e jovialidade. Serei eterna até que o sol expluda, até que o universo se desintegre.
E para viver com toda a intensidade não preciso de pensar que morro amanhã, preciso de pensar que estou viva hoje. O amanhã logo chega, temos que esperar por ele. Esperas comigo?
- É giro, mas eu recuso-me a viver como se fosse morrer amanhã, isso é para velhos. Não quero, e é irrevogável. Eu. Sou. Imortal. Quero ter tempo para para tudo e pensar que morro amanhã não é opção. Quero viver eternamente com a intensidade dos petizes que começam a vida. Quero viver eternamente com a sabedoria dos que a já viveram. Quero viver eternamente como livros, histórias infinitas caberão em mim. Pessoas terão vidas no tempo da minha eternidade.
Depois serei eterna noutra vida, noutro corpo, noutro ser. Reencarnarei em canetas de aparo, numa videira, num pássaro. Serei tempo, espaço e jovialidade. Serei eterna até que o sol expluda, até que o universo se desintegre.
E para viver com toda a intensidade não preciso de pensar que morro amanhã, preciso de pensar que estou viva hoje. O amanhã logo chega, temos que esperar por ele. Esperas comigo?
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Voltar
Confesso: às vezes não te atendo o telemóvel e ele está ao meu lado. Às vezes demoro horas para te responder à mensagem, mas não é por mal eu juro. É porque nessas vezes eu não quero falar contigo. Não é que esteja a deixar de te amar, mas quero ter o meu momento comigo e com os eus de mim.
Eu não quero estar sempre a falar contigo porque acredito que nós temos que desligar um do outro durante o dia e irmos à vida sozinhos. Depois voltaremos a estar juntos, falar ao fim do dia, contar o que se passou depois de nos desligarmos. Afinal, se falarmos das coisas quando estão a acontecer, de que iremos falar quando estivermos a sós? Não, recuso-me. À noite falamos, falaremos até que o dia nasça - basta querer. E queremos - queremos sempre - somos o café um do outro.
Penso que as relações duradouras são feitas disso: de pequenas pausas e recomeços. Não são pausas de "dar um tempo" são pausas do tipo "vou só ali e já venho". Mesmo que o "já venho" significa que voltamos ao fim do dia. Ambos precisamos do nosso espaço, dos nossos contactos, da nossa vida fora um do outro.
Está tudo bem, vai tudo correr bem, e logo voltamos. E quando voltarmos teremos muito que falar e amar. Confessa, tu gostas mais que seja assim e queres saber mais? Se a ti te gusta a mí me encanta, corazón.
Mas mais logo falamos. Xau. Beijo doce.
Eu não quero estar sempre a falar contigo porque acredito que nós temos que desligar um do outro durante o dia e irmos à vida sozinhos. Depois voltaremos a estar juntos, falar ao fim do dia, contar o que se passou depois de nos desligarmos. Afinal, se falarmos das coisas quando estão a acontecer, de que iremos falar quando estivermos a sós? Não, recuso-me. À noite falamos, falaremos até que o dia nasça - basta querer. E queremos - queremos sempre - somos o café um do outro.
Penso que as relações duradouras são feitas disso: de pequenas pausas e recomeços. Não são pausas de "dar um tempo" são pausas do tipo "vou só ali e já venho". Mesmo que o "já venho" significa que voltamos ao fim do dia. Ambos precisamos do nosso espaço, dos nossos contactos, da nossa vida fora um do outro.
Está tudo bem, vai tudo correr bem, e logo voltamos. E quando voltarmos teremos muito que falar e amar. Confessa, tu gostas mais que seja assim e queres saber mais? Se a ti te gusta a mí me encanta, corazón.
Mas mais logo falamos. Xau. Beijo doce.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Capítulo
- Não sou de começar a estimar porque de repente nada é garantido. De repente. Não é de repente. Nada, nunca, jamais, em tempo algum é garantido. Nunca foi. Nunca vou tomar por meu o que depende do tempo, de algo ou de alguém. Não vou amar com mais intensidade porque parece que te estou a perder. Não vou abraçar mais forte porque pode ser uma despedida. Não vou medir as palavras porque te posso magoar. Vou amar da forma mais intensa possível essa deve ser a única forma de amar. Vou abraçar-te com força porque sem força não é um abraço. Vou ter coragem de dizer o que penso, fazer da minha boca cascata de palavras quando algo não está bem. E não me vou arrepender. Como um livro, histórias infinitas caberão dentro de mim. E não te preocupes, tenho todo um capítulo para ti.
- E o resto?
- Ouve: és o maior capítulo mas não fazes parte de todas as histórias o que estão em mim, querido. És uma parte - a maior e melhor parte - e o resto é a minha essência, onde está guardado o meu destino, o que sou, o que quero ser e as experiências. Contigo ou sem ti, essa a parte vai existir até que a terra me coma e as raízes me absorvam. E não vais ser tu que a vais mudar, sobre ela apenas eu terei poder.
- E o resto?
- Ouve: és o maior capítulo mas não fazes parte de todas as histórias o que estão em mim, querido. És uma parte - a maior e melhor parte - e o resto é a minha essência, onde está guardado o meu destino, o que sou, o que quero ser e as experiências. Contigo ou sem ti, essa a parte vai existir até que a terra me coma e as raízes me absorvam. E não vais ser tu que a vais mudar, sobre ela apenas eu terei poder.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Aviões
- Sabes, nunca andei de avião. Todas as viagens que fiz foram de carro. Mas ainda quero andar de avião.
- Mesmo depois de tudo o que se tem passado?
- Não é por andarmos a evitar todos os perigos que nos tornamos imortais.
- Mesmo sabendo que pode estar um psicopata a comandar o avião? Eu acho que o mundo está perdido.
- Não é o mundo, são as pessoas. Psicopatas há-os em todo o lado. Olha, estás a ver aquele homem com a menina ao colo? Ele pode ser um psicopata. E aquele senhor ali, também.
- Se formos a pensar assim, andamos sempre com medo.
- Fico feliz por teres chegado onde queria que tu chegasses. Não podemos ter medo, porque quando chegar a nossa hora, nós morremos. Seja onde for e nas mãos de quem for. Nunca vi ninguém escapar ao último suspiro, podem ter escapado por milímetros a uma hora errada, mas não escapam à hora certa. É triste morrer assim? É. Mas as causas de morte nunca são felizes ou justas. Acontecem e pronto.
- Não estás a ser um bocadinho fria?
- Talvez, mas conheces outra forma de lidar com a morte?
- Mesmo depois de tudo o que se tem passado?
- Não é por andarmos a evitar todos os perigos que nos tornamos imortais.
- Mesmo sabendo que pode estar um psicopata a comandar o avião? Eu acho que o mundo está perdido.
- Não é o mundo, são as pessoas. Psicopatas há-os em todo o lado. Olha, estás a ver aquele homem com a menina ao colo? Ele pode ser um psicopata. E aquele senhor ali, também.
- Se formos a pensar assim, andamos sempre com medo.
- Fico feliz por teres chegado onde queria que tu chegasses. Não podemos ter medo, porque quando chegar a nossa hora, nós morremos. Seja onde for e nas mãos de quem for. Nunca vi ninguém escapar ao último suspiro, podem ter escapado por milímetros a uma hora errada, mas não escapam à hora certa. É triste morrer assim? É. Mas as causas de morte nunca são felizes ou justas. Acontecem e pronto.
- Não estás a ser um bocadinho fria?
- Talvez, mas conheces outra forma de lidar com a morte?
terça-feira, 17 de março de 2015
Dormir
Vem, vamos dormitar aqui neste banco. Anda, chega um pouquinho para lá só para eu caber. Abre os braços e dá-me o teu peito ou então deixa-me que eu te abrace e me encoste no teu ombro, cabeça com cabeça, peito com costas, coração com coração. Quatro camadas de roupa separam a nossa pele no tronco: a minha camisola e o casaco, o teu casaco e a tua camisola e eu não consigo deixar de pensar o quão próximos estamos. Deixa-me sentir a tua respiração - respiras rápido, moço - acalma-me. Sinto-te quente, mesmo através da roupa. Vou reclamar quando te mexeres, talvez fale e trema durante o sono. Um pesadelo pode vir a acontecer. E tu vais estar lá pronto a acordar-me - chateado, porque te estava a saber bem dormir - e eu vou estar feliz, sabes porquê? Porque o que me vai trazer alívio vai ser sair daquele maldito sonho em que não consigo correr nem gritar e depois foco os olhos e vejo a tua cara, primeiro algo fosco e depois, a perfeição imperfeita: a marca de nascença no nariz que quase não se vê mas eu sei que existe, os olhos irregulares entre o verde e o castanho e depois a tua boca, perfeitamente desenhada que se aproxima cada vez mais e me beija a testa. Sentirei depois o coração em chamas e a aflição (ou o alívio?) de finalmente ter acabado a espera por esse maldito beijo. Vou querer, para sempre dormir contigo, não da forma sexual, dormir mesmo. Só para poder acordar contigo.
- Moça, vamos dormitar aqui ?
Risos
- Sim.
Depois percebi que nunca dormiste. Percebi que me podias ter feito mal enquanto dormia. Percebi que, depois me acordares, eu tive a sensação de plena confiança em ti, como se te conhecesse desde antes do princípio dos tempos. Vem, vamos dormitar juntos aqui neste banco, nesta cama, nesta vida.
- Moça, vamos dormitar aqui ?
Risos
- Sim.
Depois percebi que nunca dormiste. Percebi que me podias ter feito mal enquanto dormia. Percebi que, depois me acordares, eu tive a sensação de plena confiança em ti, como se te conhecesse desde antes do princípio dos tempos. Vem, vamos dormitar juntos aqui neste banco, nesta cama, nesta vida.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Respira
- Imagina que um dia te dão uma lista. E nessa lista consta o nome das pessoas que conheceste e à frente aparece o traço de personalidade que criaste por causa dessa pessoa.
- Isso era giro de se ver.
- Era sim, até saberes qual o traço que recebeste de mim.
- Aí é que eu ficava feliz. Agora imagina: quando uma pessoa nasce é-lhe dada uma alma. E a cada expiração liberta pedaço dessa alma, e tu, como está muito tempo com ela inspiras essa alma e vais-te tornando como ela. Daí tu ficares parecida com as pessoas com quem estás mais vezes.
- E depois?
- E depois? E depois eu mal posso esperar pelo momento em que eu inspire tanto da tua alma que me torne parte de ti. Eu já não espero por ti, porque já és tudo o que sou.
- Sabes, talvez tenha expirado a alma onde está o coração enquanto disseste isso. Inspiraste-o? Falas e pensas demasiado, moço, e acabas por nunca inspirar o que eu te quero dar. Por vezes basta estarmos calados e ter aqueles segundos em que nos olhamos nos olhos, é nessa altura em que vejo a tua alma e sei, acredita que sei, em que estás a pensar.
- Isso era giro de se ver.
- Era sim, até saberes qual o traço que recebeste de mim.
- Aí é que eu ficava feliz. Agora imagina: quando uma pessoa nasce é-lhe dada uma alma. E a cada expiração liberta pedaço dessa alma, e tu, como está muito tempo com ela inspiras essa alma e vais-te tornando como ela. Daí tu ficares parecida com as pessoas com quem estás mais vezes.
- E depois?
- E depois? E depois eu mal posso esperar pelo momento em que eu inspire tanto da tua alma que me torne parte de ti. Eu já não espero por ti, porque já és tudo o que sou.
- Sabes, talvez tenha expirado a alma onde está o coração enquanto disseste isso. Inspiraste-o? Falas e pensas demasiado, moço, e acabas por nunca inspirar o que eu te quero dar. Por vezes basta estarmos calados e ter aqueles segundos em que nos olhamos nos olhos, é nessa altura em que vejo a tua alma e sei, acredita que sei, em que estás a pensar.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Waterloo
Diz-me, quem de nós vai ser Napoleão em Waterloo?
Quem vai adiar a batalha por causa de tempestades, quem vai atacar nos flancos esperando que se gastem ali todas as defesas e depois, ataca ao centro pensando na entrega do adversário?
Diz-me, quem queres ser comigo? Vamos ser os dois Napoleão e sair a perder ou vamos ser Aliados e ganhar para o resto da vida?
Quem vai adiar a batalha por causa de tempestades, quem vai atacar nos flancos esperando que se gastem ali todas as defesas e depois, ataca ao centro pensando na entrega do adversário?
Diz-me, quem queres ser comigo? Vamos ser os dois Napoleão e sair a perder ou vamos ser Aliados e ganhar para o resto da vida?
quinta-feira, 5 de março de 2015
Carros (e nós)
Carros são como pessoas, cada um com a sua personalidade.
Nunca nenhum carro do mesmo modelo com os mesmos quilómetros terá uma resposta igual. Sabes porquê? Porque cada um tem a sua história. E tu não a conheces completamente: não sabes por que batalhas no trânsito ou qual o seu limite de rotações por minuto. Não sabes quantas mudanças de óleo já precisou ou com que gasolina rasca já foi atestado. Não sabes por que paredes passaram à tangente nem em que muro já quase ditaram a sua morte.
Percebes o que digo? Nunca julgues um carro - ou uma pessoa - pela sua aparência. Nunca os forces, nunca tentes abusar no primeiro encontro. Nunca gozes com eles, tu não sabes por que problemas estão a passar neste preciso momento.
E queres saber a melhor parte? Eu conto-te. A melhor parte é que o primeiro carro é como a primeira pessoa que te toma o coração, que se acomodou na tua mente e te faz feliz só por existir. O primeiro carro é como o primeiro amor, nunca se esquece e será para sempre o melhor de todos, é aquele que queres levar a todo o lado e, mesmo que o amor não seja feito de vaidades, é aquele que queres mostrar a toda a gente. É aquele que quando olhas para ele pensas: "é meu" mesmo que não seja mesmo verdade.
É aquele que não sabes bem se foste tu que o escolheste ou se foi ele que o fez. Mas que importa isso? Vamos ser tão felizes - eu e tu; o carro e as viagens. Eu em ti, o carro nas viagens. Eu no carro, tu nas viagens. Nós no carro em viagem. Vens?
Nunca nenhum carro do mesmo modelo com os mesmos quilómetros terá uma resposta igual. Sabes porquê? Porque cada um tem a sua história. E tu não a conheces completamente: não sabes por que batalhas no trânsito ou qual o seu limite de rotações por minuto. Não sabes quantas mudanças de óleo já precisou ou com que gasolina rasca já foi atestado. Não sabes por que paredes passaram à tangente nem em que muro já quase ditaram a sua morte.
Percebes o que digo? Nunca julgues um carro - ou uma pessoa - pela sua aparência. Nunca os forces, nunca tentes abusar no primeiro encontro. Nunca gozes com eles, tu não sabes por que problemas estão a passar neste preciso momento.
E queres saber a melhor parte? Eu conto-te. A melhor parte é que o primeiro carro é como a primeira pessoa que te toma o coração, que se acomodou na tua mente e te faz feliz só por existir. O primeiro carro é como o primeiro amor, nunca se esquece e será para sempre o melhor de todos, é aquele que queres levar a todo o lado e, mesmo que o amor não seja feito de vaidades, é aquele que queres mostrar a toda a gente. É aquele que quando olhas para ele pensas: "é meu" mesmo que não seja mesmo verdade.
É aquele que não sabes bem se foste tu que o escolheste ou se foi ele que o fez. Mas que importa isso? Vamos ser tão felizes - eu e tu; o carro e as viagens. Eu em ti, o carro nas viagens. Eu no carro, tu nas viagens. Nós no carro em viagem. Vens?
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Tempestade
Diz-me, esperas por mim de que lado: do lado do sol ou do da tempestade?
Diz-me, esperas de mim que lado: o lado do sol ou o da tempestade?
Diz-me, gostas de mim de que lado: do lado do sol ou do da tempestade?
Diz-me, ficas comigo de que lado: do lado do sol ou do da tempestade?
Digo-te: espero, gosto, fico contigo no arco íris: onde o sol e a tempestade se juntam e separam cores.
Diz-me, esperas de mim que lado: o lado do sol ou o da tempestade?
Diz-me, gostas de mim de que lado: do lado do sol ou do da tempestade?
Diz-me, ficas comigo de que lado: do lado do sol ou do da tempestade?
Digo-te: espero, gosto, fico contigo no arco íris: onde o sol e a tempestade se juntam e separam cores.
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| (Vila Real, 24.02.2015) |
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Vida / Morte
- Tenho uma pergunta para ti.
- Força.
- Achas que há vida depois da morte?
- Não sei. Mas ouve o que eu vou dizer.
- Diz.
- Em vez de pensar nisso, as pessoas deviam pensar se vivem antes da morte, percebes o que eu digo? Diz-me, andas a ver viver ou a ver e viver?
- Força.
- Achas que há vida depois da morte?
- Não sei. Mas ouve o que eu vou dizer.
- Diz.
- Em vez de pensar nisso, as pessoas deviam pensar se vivem antes da morte, percebes o que eu digo? Diz-me, andas a ver viver ou a ver e viver?
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